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José Márcio Soares de Barros

Economista formado pela Ufes, é atualmente consultor da diretoria de Administração de Recursos de Terceiros e Distribuição do Banestes-Banco do Estado do Espírito Santo

Brasil continua “surfando a onda azul” no cenário econômico; entenda

Pelo que vem demonstrando o índice da principal Bolsa de Valores do país, o Brasil continua “surfando” a famosa “onda azul” como vinha fazendo desde o finalzinho de 2020. O termo “onda azul” que se vê principalmente no noticiário econômico e financeiro dos EUA, refere-se a cor azul do partido democrata que passará a controlar as duas casas – Câmara e Congresso Americano a partir do dia 20 de janeiro.

Esta “onda azul” também está sendo utilizada nos mercados financeiros internacionais como sendo a injeção de US$ 25 trilhões de incentivos concedidos ao redor do mundo. Este número difícil de escrever, com tantos zeros, é 8 vezes maior do que o destinado na crise americana de 2008.

Em uma retrospectiva rápida da rentabilidade dos ativos em 2020, podemos dizer que o maior retorno foi para aqueles que investiram em ouro, com um ganho de 56%. Porém não se animem aqueles que não conhecem o mercado e nem o sacolejar da carruagem. Somente em novembro, o metal teve uma queda de 12%, portanto os picos e vales podem causar náusea nessa montanha russa metálica. Em seguida vem o dólar com 28% e bem lá atrás o “cavalinho” do Bovespa, que se valorizou 3% seguidos de perto pela Selic com 2,76%, e por último da poupança que rendeu 2,11%. Quando descontamos a inflação, que deverá ser anunciada oficialmente na próxima terça-feira, dia 12 de janeiro, a maior parte dos investimentos não apresentou ganhos reais.

Mais especificamente sobre a Bolsa, alguns papéis subiram muito em 2020, como foi o caso da CSN que subiu 126% e fechou em primeiro lugar em valorização, e os papéis da Vale ficaram em sétimo lugar em valorização com alta de 78%. Por outro lado, algumas ações tiveram quedas significativas como as ações do Iguatemi Shopping que caíram 28% e das Lojas Renner que apresentaram queda nos papéis da empresa em 2020 da ordem de 21%.

O rali de final de ano foi marcado pela alta de 27% do índice nos meses de novembro (15.90%) e dezembro (9,66%). Se considerarmos o período que o Ibovespa teve o pior momento, que foi de 21 de março de 2020, até 31 de dezembro, o índice subiu surpreendentes 85%.

A previsão para 2021 é de que a Bolsa possa terminar em 135 mil pontos (este cenário base tem 60% de possibilidade de ocorrer), no cenário conservador que tem 10% de chances de ocorrer, o índice deve chegar a 90 mil pontos, enquanto no cenário mais otimista, a bolsa deve encerrar em 155 mil pontos com 30% de chances.

Nos poucos pregões de janeiro, alguns papéis já surpreendem pela valorização: as ações da Gerdau subiram 28%, CSN 20%, Vale 17% e Usiminas 13%. Além destes dois setores de mineração e siderurgia, o setor de petróleo e bancos também estão tendo uma valorização expressiva.

Mas para onde os investimentos foram deslocados em 2020? A indústria dos Fundos de Investimentos segundo dados da Anbima – Associação Brasileira do Mercado Financeiro e de Capitais, no ano de 2020 fechou com um saldo de R$ 6 trilhões, com 25 milhões de contas. Houve uma captação líquida de R$ 156 bilhões. Os Fundos Multimercados e os Fundos de Ações tiveram uma captação líquida de R$ 167 bilhões. O restante (ou a diferença) foram saques que ocorreram nos Fundos de Renda Fixa.

Já uma menor parte dos recursos foram alocados em Caderneta de Poupança que fechou o ano de 2020 com aportes líquidos de R$ 166 bi (só em dezembro foi depositado R$ 20,6 bi). O estoque aplicado em Poupança terminou 2020 em R$ 1 trilhão. Para termos uma ideia da grandeza dos números do ano passado, em 2019 o ingresso líquido foi de somente R$ 13 bilhões e o saldo terminou em R$ 845 bi.

Para 2021, nossa sugestão é de diversificação e cautela na alocação de recursos, obviamente destinando alguma parte para correr um risco considerado “salutar”. E existe risco “salutar”? Existe. Tem que ” garimpar”.

11/01/2021

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