Furto de cabos de cobre em Vitória revela a existência de uma organização criminosa

Dono de ferro-velho contratava usuários de drogas para furtar cabos de postes de iluminação e semáforos, além de motorista para transporte do material até seu destino, onde era incinerado

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"Podemos considerar que é uma quadrilha", destacou Ícaro Ruginski (Foto: Elizabeth Nader/PMV)

A prisão em flagrante de pessoas furtando cabos de cobre na manhã desta quinta-feira (14), em Vitória, revelou a existência de uma organização criminosa por trás desses crimes. A informação é do secretário Municipal de Segurança Urbana (Semsu) de Vitória, Ícaro Ruginski, que concedeu entrevista coletiva na sede da pasta durante a tarde para esclarecer parte das investigações.

“É uma organização criminosa. Diversos furtos de fiação elétrica estão acontecendo no município de Vitória. Esses furtos causam grande prejuízo à população. Além do prejuízo financeiro, a iluminação pública, a sincronização dos semáforos. Esse grupo em grande posse dessa fiação levariam para o município de Cariacica, onde existe um ferro-velho”, afirmou o secretário.

A forma de atuar dos criminosos, aliada a investigações conduzidas pelo recém-criado núcleo de inteligência da Guarda Municipal e pela Polícia Civil, levou as autoridades a começar um mapeamento dos destinatários dos cabos de cobre furtados, normalmente ferros-velhos, segundo Ruginski.

“Verificamos que o modus operandi é exatamente esse: os usuários de drogas fazem essa subtração dos cabos da rede de energia, levam para determinados pontos e entregam para receptadores. Esses receptadores levam normalmente para ferros-velhos, que já estão sendo mapeados tanto pela Guarda Municipal quanto pela Polícia Civil”, explicou.

Os responsáveis pelos furtos são contratados por valores irrisórios pelos destinatários finais, que também se utilizam de transportadores. Na apreensão desta quinta, o material subtraído foi encontrado na carroceria de uma caminhonete modelo S10, pertencente ao dono do ferro-velho, contratante das quatro pessoas detidas. Três homens e uma mulher, entre usuários de drogas e o motorista encarregado do transporte, se preparavam para levar 500 kg de cabos de cobre ao destino. A Polícia Civil

Foto: Divulgação/GMV

Após a operação da Guarda Municipal, surgida de denúncia feita por um ciclista que passava próximo à Ponte da Passagem, no bairro Andorinhas, e viu a ação dos criminosos, resultando nas detenções, a corporação descobriu que o veículo usado era usado de forma suspeita.

“Nossa equipe de inteligência fez um trabalho e identificou entrada e saída desse veículo diversas vezes em horário suspeito. A seguir, fizemos um levantamento e descobrimos que o proprietário possuía um ferro-velho e que explorava essa atividade. Entregamos essa ocorrência no Deic [Departamento Especializado de Investigações Criminais], que deu continuidade à investigação e conseguiu efetuar a prisão do proprietário desse ferro-velho”, relatou Ícaro Ruginski, contando ainda que ao chegar ao local, os policiais civis encontraram mais cabos de cobre já incinerados.

Os nomes dos criminosos não foram revelados, mas a informação repassada pelo secretário é de que o dono do local de destino dos cabos furtados já foi preso recentemente há alguns meses, porém não foi revelado qual crime ele teria cometido. Na coletiva também foi informado que a Polícia Civil fará um trabalho para identificar outros ferros-velhos que possam estar adquirindo esses produtos. A corporação foi procurada para passar mais detalhes, mas não deu retorno.

Ainda segundo Ruginski, foi descoberto que o dono do ferro-velho tinha atitudes suspeitas que levaram os investigadores a entender melhor a maneira como o grupo agia.

“O cara [proprietário do local] entrava uma hora da manhã, saía diversas vezes de madrugada, sempre em horários diversos. Além disso, temos a informação de eram justamente os horários em que ele vinha receber o material que foi subtraídos. Sabemos que ele não é o único, já sabemos que tem outras pessoas. Essas informações vão ser repassadas para a polícia Civil”, concluiu.

Prejuízos

“É uma quantia expressiva quando somados os meses do ano, fora o prejuízo para a cidade” (Foto: Elizabeth Nader/PMV)

Também presente na coletiva de imprensa, o prefeito de Vitória, Leandro Pazolini, revelou os prejuízos que o furto de cabos de cobre causam nos cofres públicos: de R$ 50 mil a R$ 60 mil por mês para substituir os materiais.

“É uma quantia expressiva quando somados os meses do ano, fora o prejuízo para a cidade, porque afeta iluminação pública, afeta a segurança, gera sensação de insegurança e afeta a mobilidade urbana, porque aquele semáforo perde contato com a central, fica autônomo, não tem mais a sincronia com o sistema”, disse o prefeito.

O secretário Ícaro Ruginski destacou que a fiscalização para coibir essa prática vem sendo intensificada com monitoramento dos locais considerados mais propícios ao cometimento do crime e também com canais de informação.

Nós estamos monitorando os pontos em que estão sendo subtraídos [cabos de cobre], temos guardas atentos, canais para receber informações, até pelas redes sociais da prefeitura, sobre esses crimes. A gente está intensificando a fiscalização e o monitoramento dessas ações”, finalizou.

Projeto de Lei para combater mais furtos

Um Projeto de Lei (PL) para combater o furto de fios de cobre em Vitória foi protocolado nesta quinta-feira na Câmara de Vereadores. A ideia é interditar imediatamente o estabelecimento que receber o material furtado, condicionando sua reabertura à entrega de informações pelo proprietário do local e que levem aos fornecedores do produto adquirido ilegalmente.

Além disso, o PL pretende disciplinar a compra e a venda do cobre e o funcionamento dos estabelecimentos que comercializam o material. Locais que forem flagrados vendendo o produto sem comprovação de origem poderão ser fechados pela fiscalização

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