Bolsonaro volta a contestar urnas eletrônicas e Barroso critica acusações “sem fundamento”

Em resposta a acusações sem provas do presidente Jair Bolsonaro, presidente do TSE destacou o histórico inviolável do sistema eleitoral, reforçando que as urnas não ficam conectadas à internet

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, participa de entrevista coletiva sobre o segundo turno das eleições municipais 2020 (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou na noite deste domingo (29) que acusações de fraude nas urnas eletrônicas são feitas “sem nenhum fundamento”.

A afirmação de Barroso foi dada em entrevista coletiva realizada após o encerramento do segundo turno das Eleições Municipais 2020.

“Em relação às acusações de fraude que se repetem insistentemente, mas evidentemente sem nenhum fundamento, eu vou explicar mais uma vez às pessoas que não tenham entendido. Só posso explicar às que não tenham entendido, às que não queiram entender, não há remédio na farmacologia jurídica para esse problema”, disse o presidente do TSE.

Luís Roberto Barroso destacou o histórico inviolável do sistema eleitoral brasileiro. “Para além da retórica, sobre a qual ninguém tem controle, jamais se comprovou qualquer aspecto fraudulento no sistema”, proferiu, reforçando que as urnas não ficam conectadas à internet.

A declaração é uma resposta a mais uma acusação sem provas feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na tarde deste domingo, após votar na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, o presidente voltou a criticar as urnas eletrônicas, defendeu o voto impresso e, sem citar nomes, ironizou a ideia de Barroso de liberar o voto por smartphones futuramente.

Jair Bolsonaro votou na cidade do Rio de Janeiro e concedeu entrevista na saída do local de votação (Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)

“Alguns falam em voto por telefone. Tem gente que nunca entrou na casa de mais humildes”, disse Bolsonaro durante entrevista de quase 30 minutos concedida aos repórteres que faziam a cobertura de sua votação. “Eu, como presidente da República, quero voto impresso já”, continuou.

Em determinado momento, Jair Bolsonaro pôs em dúvida, novamente sem apresentar provas, o sistema de apuração do TSE e a contagem de votos que lhe rendeu em 2018 o cargo que hoje ocupa.

“Eu ganhei em 2018 só porque tinha muito mais votos. E digo mais: a apuração tem de ser pública, e não feita por meia dúzia de pessoas. O TSE tem a obrigação de entregar os boletos de urna”.

Balanço do segundo turno e ataque hacker

O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, lamentou o alto número de abstenções no segundo turno das Eleições Municipais 2020, o que considerou maior do que o desejável pela Justiça Eleitoral. Em sua avaliação, a pandemia de Covid-19 colaborou para que parte dos 11,1 milhões de eleitores que não comparecessem às urnas com receio de serem contaminados pelo novo coronavírus.

As abstenções representaram 29,50% dos votos totais no pleito deste ano. Nas três últimas eleições (2018, 2016 e 2014), o índice de eleitores faltosos ficou perto de 21%. Apesar da alta, o presidente da Corte Eleitoral disse que, em meio à pandemia, o comparecimento de 70,50% da população apta ao voto é fato para se celebrar.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“É um número maior do que nós desejaríamos, mas é preciso ter em conta que nós realizamos eleições em meio à uma pandemia, que já consumiu 170 mil vidas, e que muitas pessoas, com o compreensível temor de comparecem às urnas, deixaram de votar. Muitas por estarem com a doença, muitos por estarem com sintomas e muitas por estarem com medo”, disse.

Segundo o balanço final do TSE, houve 3,89% (1 milhão) de votos brancos e 8.81% (2,3 milhões) de votos nulos.

O ministro também disse que não foram registrados ataques bem sucedidos de hackers aos sistemas do tribunal neste segundo turno. Na ocasião, Barroso aproveitou para elogiar a Polícia Federal (PF), que prendeu neste sábado (28), em Portugal, em operação conjunta com a polícia do país europeu, um suspeito de envolvimento no ataque ao sistema do TSE no primeiro turno.

“Há os que fazem esses ataques para procurar atacar a democracia e o sistema eleitoral, e procurarem tornar as instituições vulneráveis. Todos eles são criminosos, merecem o repúdio das pessoas de bem e merecem a ação da Justiça.”

 

 

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