Dia da Consciência Negra: em 2020, um dia triste e marcado por uma morte brutal

Se fosse um homem branco, os seguranças teriam agido da mesma maneira?

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Dia da Consciência Negra - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Desde 2003, se celebra o Dia da Consciência Negra no dia 20 de novembro. Remete ao dia em que foi assassinado Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, localizado na Capitania de Pernambuco, em 1695.

No entanto, esta é uma data para ser lembrada durante todo o ano. Porque segundo dados do Atlas da Violência, levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2018, 75,7% dos homicídios registrados foram de pessoas negras.

Recentemente, noticiamos casos bárbaros. Inclusive na manhã desta sexta, quando em Porto Alegre, um homem foi assassinado brutalmente por seguranças de uma loja de supermercado Carrefour. Ele se chamava João Alberto Silveira Freitas, tinha 40 anos. Foi espancado até a morte.

Em meio a uma série de indignações, há uma necessidade crescente de se reagir para se obter respostas que realmente nos dê sinais de que todas as vidas importam e serão valorizadas.

O Brasil tem no presidente da Fundação Palmares um homem negro que diz que a escravidão foi boa. Que não vê a importância desta data, que não reconhece o racismo.

A ministra das Mulheres, Família e Direitos Humanos se colocou de prontidão para atender a família de João Alberto, mas não citou que a bárbara morte era de um um cidadão negro.

O vice-presidente fala não acreditar que existe o racismo, mas que há desigualdades sociais.

Se fosse um homem branco, os seguranças teriam agido da mesma maneira? As nossas desigualdades sociais estão, claramente, envoltas pelo racismo estrutural. O negro possui poucos representantes para defendê-lo em políticas sociais, está em vulnerabilidade e corre ainda mais risco de morte em meio a pandemia da Covid-19.

O Dia da Consciência Negra é feriado no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (20). Por que não é em outros lugares? Até o momento, o Governo do Espírito Santo não se manifestou sobre a data por seus meios oficiais.

Um dos espaços em que a cultura afro é divulgada e exibida atualmente está fechado por conta da pandemia, o Museu Capixaba do Negro (Mucane). Fica a expectativa para que no momento mais adequado se reabra.

 

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