Do desemprego ao trabalho modelo: a lavoura de palmito que mudou a vida de casal capixaba

O projeto desenvolvido na propriedade rural de Lidyani Mariano e Ronaldo Merísio, em Guarapari, se tornou referência na Grande Vitória e demonstra perspectivas para futuro de sucesso

0
Foto: Arquivo Pessoal/Lidyani Mariano

Em 2016, o casal Lidyani Mariano, de 36 anos, e Ronaldo Merísio, 37, voltou para o interior. Na localidade de Rio Claro, em Guarapari, eles se estabeleceram. Ela vinha de carreira como servidora pública, enquanto que o marido era motorista de uma empresa mineradora. A vida no campo seria marcada por um recomeço.

Ainda em dúvida sobre como conseguir dar um novo passo, os dois contaram com a ajuda do engenheiro agrônomo Cássio Vinícius de Souza. Hoje a produção de palmito na propriedade rural de Lidyani e Ronaldo se destaca na geração de renda do casal e é vendida em supermercados e para restaurantes.

O negócio vem crescendo no decorrer dos anos: da atual agroindústria pode vir em um futuro não distante o desenvolvimento do agroturismo em Guarapari. Está nos planos da família agricultora, que se estrutura financeiramente e fez empréstimo para aos poucos a ideia se tornar realidade. É que hoje em dia, a produção caseira já não tem dado conta da demanda.

Produtos sendo comercializados em supermercado – Foto: Arquivo Pessoal/Lidyani Mariano

O começo

Tudo começou em 2016 mesmo. Diante das incertezas para se trabalhar no meio rural, o casal procurou o Incaper em busca de orientações e encontrar uma forma de trabalhar que o sustentasse financeiramente. Em contato com Cássio, que é extensionista rural do instituto, um caminho se abriu.

Nossa família é toda do interior. A gente ficou desempregado em 2016 e voltou para a roça em definitivo. Já tínhamos plantio, mas não sobrevivíamos exclusivamente dele. A partir daquele ano, passou a ser. Começamos a fazer feiras vendendo palmito e banana. Eu tinha habilidade na cozinha e focamos nisso. Precisávamos de mais informações e encontramos o Cássio“, fala Lidyani.

O engenheiro agrônomo participou desde o momento do estudo do solo, da escolha da lavoura e da forma como seria adubada, até mesmo ao ponto da criação da agroindústria, ele conta.

Cássio em meio ao casal onde os produtos são preparados – Foto: Arquivo Pessoal/Lidyani Mariano

Pensamos na lavoura de palmito e pupunha, que vão muito bem nas condições de clima e solo de Guarapari. Tudo foi encarado como negócio, com planejamento e tecnologia para colheita e fabricação. Fomos atrás de montar uma agroindústria, fazer trabalho de marketing e comercialização, sem atravessadores“, diz o engenheiro agrônomo.

Daí teve origem o Império Sabor, a marca criada durante o processo. No site, há mais informações sobre a origem da produção e o que é comercializado. (Clique aqui)

Hoje e o futuro 

O trabalho desempenhado em conjunto por Cássio e a família foi escolhida como experiência modelo pelo Incaper na região Metropolitana de Vitória. Lidyani e Ronaldo dizem estar felizes com a vida que levam e não pretendem deixar o campo novamente. O negócio dá sinais considerados positivos, mesmo em meio à pandemia do coronavírus.

Em novembro o casal vai iniciar o processo de construção de barragem que irá servir como reservatório de 270 m³ de água para a irrigação da lavoura, em Rio Grande, em Guarapari. Lá haverá o plantio de mais cinco mil pés de palmito.

O que a gente tem hoje já não nos atende mais. Vamos começar a construir a barragem no dia 15 de novembro para a irrigação da lavoura. Ao lado vamos plantar mais cinco mil pés de palmito. A proposta é criar uma lojinha anexa a agroindústria, porque estamos em cima da BR-101. Pretendemos fazer uma caminhada ecológica, tem uma matinha em cima. É um lugar bem bacana, bem localizado. Cássio nos orientava sobre regulamentações do Ibama, questões de rótulo, Sebrae…”, analisa.

O início foi muito difícil. Eu ganho ainda menos do que antes, na profissão. Imagino que daqui a dois anos nosso sonho estará realizado, estaremos consolidados e vamos viver com tranquilidade. Hoje a gente paga todas as contas, vivemos muito bem. Voltar para o campo nos dá um prazer que dinheiro nenhum paga“, comenta Lidyani.

Cássio explica que fez um projeto de crédito para ajudar nos investimentos da família a partir do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que dá o prazo de 10 anos para concluir o pagamento, com três anos de carência.

Aqui todos os produtos que são feitos pela família: palmito em conserva, pimenta, geleia, picles, licor, entre outros – Foto: Arquivo Pessoal – Lidyani Mariano

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui