Moradores de Vitória relatam diminuição de pó preto em residências; empresas emissoras explicam o motivo

A incidência da poluição é de longa data na cidade, sendo os bairros Jardim da Penha, Camburi e Praia do Canto os mais atingidos pela poeira mineral

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Vista aérea de parte do bairro de Jardim da Penha. Foto: Leonardo Silveira/PMV

Os moradores de Vitória estão percebendo algumas mudanças durante a limpeza de suas casas. O pó de minério que aumentava os problemas respiratórios e prejudicava as faxinas diárias está diminuindo. A incidência da poluição é de longa data na cidade, os bairros Jardim da Penha, Camburi e Praia do Canto costumam ser os mais atingidos pela iminência da poeira escura nas residências. Ou costumavam.

Embora o principal alvo seja Vitória, no ano passado o município de Serra também foi atingido pela poeira preta no ar e, consequentemente, nas residências. Os moradores do bairro Carapebus relataram problemas respiratórios após chuva de pó de minério com coloração brilhante. Na ocasião, a empresa ArcelorMittal foi multada em R$ 9 milhões pela prefeitura da cidade.

A prefeitura de Vitória também decretou multas que giram em torno de R$ 100 milhões para empresas emissoras do pó de minério na cidade. Em julho, recente reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente discutiu Projeto de Lei na Assembléia Legislativa que propõe novas medidas para garantir a diminuição e controle da poluição do ar.

E agora, a batalha contra a incidência do pó de minério começa a surtir efeito. Pelo menos nos últimos dois meses, de acordo com a doméstica Arinete Tellau, de 59 anos, que trabalha há 9 anos em uma residência em Jardim da Penha. Ela relata que a diminuição, apesar de recente, é significativa.

“Nos últimos dois meses eu notei que diminuiu bastante, porque antes não podia deixar uma janela aberta que a casa ficava preta. Ainda tem [pó], mas diminuiu uns 70%. Eu trabalho em uma casa só. Todos os dias tínhamos que fazer o mesmo esforço, a varanda tinha que ser limpa três vezes ao dia, porque ventava muito e a varanda ficava preta e com quase um par de lixo cheio de pó. Agora eu limpo de manhã e só passo um paninho à tarde”, conta.

A autônoma Maria Alcione Fardim, de 58 anos, é moradora de Pontal de Camburi, e relata que também tem notado essa diminuição do pó de minério em sua residência há um ano.

“Percebi menos acúmulo dentro de casa, mesmo no tempo seco e ventania, não é como antes. Antes passava pano na casa e em menos de 1h já tinha pó acumulado. Hoje, pelo menos onde moro, está melhor. Além da sujeira dentro de casa, equipamentos tinham que ter uma limpeza constante. Até já tive eletrônicos que sofreram [danos] por conta de acúmulo do pó preto. Alergia também era constante. Tudo isso diminuiu”, explicou.

O bairro de Jardim da Penha, na capital capixaba, fica na rota do chamado “vento nordeste” o que faz com que as emissões do material sejam bastante sentidas pelos residentes da região.

Eu contato com a reportagem, um morador de Morada de Camburi divulgou a foto do lixo recolhido após faxina. De acordo com ele, a diminuição do pó preto é grande, perceptível ao comparar com o quês encontrava há alguns meses. Foto: Divulgação/Internauta

Afinal, o que causou a diminuição?

ArcelorMittal. Foto: divulgação.

Para saber se houve algum investimento com o objetivo de diminuir a incidência do pó no município de Vitória, o Movimento Online entrou em contato com a Arcelor Mittal, que, em nota respondeu sobre ações ambientais realizadas pela empresa neste sentido, e informou a possibilidade do morador verificá-las também no aplicativo Evoluir Arcelor Mittal. A ferramenta está disponível para download na loja de aplicativos Google Play e também na App Store.

Confira a nota na íntegra:

A ArcelorMittal Tubarão tem feito expressivos investimentos na área ambiental, ao longo dos anos, e vem cumprindo todas as ações acordadas junto ao Governo e aos Ministérios Públicos Estadual e Federal, quando da assinatura do Termo de Compromisso Ambiental (TCA), em 2018.

São ações já executadas – implementação de novos lava-rodas para evitar arraste e emissão de material particulado (18 estão em operação, sendo 12 novos); aplicação de polímeros nas pilhas de materiais; reforma do Sistema de Despoeiramento da planta de reciclagem de Coprodutos; enclausuramento de trechos de correias transportadoras; e maior visibilidade dos indicadores de desempenho dos equipamentos de controle ambiental – e outras em andamento – enclausuramento de Torres de Transferências e Prédios; pavimentação e drenagem de vias e pátios; avanço na instalação de equipamentos de controle nas Correias Transportadoras; otimização, visando redução dos pátios de materiais; e novo despoeiramento no Pátio de Beneficiamento de Coprodutos.

Além dessas ações previstas no TCA, a empresa tem se empenhado, continuamente, em evoluir para um novo patamar em gestão ambiental e mapeou outras iniciativas de aprimoramento que estão sendo executadas voluntariamente, dentro do seu Programa Evoluir.

O que diz a Vale

Vitória, Espírito Santo (ES), Brasil, 30/10/2014 – Porto de Tubarão – Navio atracado para carregar no Píer 2 (empregados sem identificação). Foto: Márcia Foletto/VALE divulgação.

A Vale também emitiu nota para comentar a respeito dos investimentos realizados no controle ambiental e na emissão do pó preto. A empresa ainda deu um prazo de dois anos, ou seja, 2023, para que a poeira de minério seja reduzida em até 93%.

Leia a nota na íntegra:

A Vale tem investido continuamente para aprimorar seus controles ambientais, conforme compromisso assumido com a sociedade e com os órgãos públicos. A empresa iniciou a implantação de seu Plano Diretor Ambiental, anunciado em 2018 no valor de R$ 1,27 bilhão, que conta com diversas ações para reduzir ao máximo a emissão de poeira e aprimorar a gestão hídrica na Unidade Tubarão, em Vitória. Com essas ações, até 2023 a Vale reduzirá suas emissões difusas de poeira em até 93% em relação a 2010.

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