Delator acusa ex-deputado Lelo Coimbra de ter recebido R$ 1 milhão em troca de favor

Ex-presidente da Fecomércio-RJ disse ao MPF que acerto aconteceu quando o emedebista era líder do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) na Câmara dos Deputados

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Lelo: "Se houvesse um mínimo de verdade em tais relatos, seria fácil de provar com os atuais instrumentos tecnológicos do MP" - Foto: Reprodução

O ex-presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) Orlando Diniz citou em deleção premiada que o ex-deputado federal Lelo Coimbra (MDB) teria recebido R$ 1 milhão, em dinheiro, para ajudar na indicação de uma pessoa de confiança para o conselho fiscal do Serviço Social do Comércio (Sesc).

O relato do ex-dirigente da entidade foi homologado em junho deste ano pelo juiz federal Marcelo Bretas, no âmbito da Operação E$squema S, da Lava Jato do Rio de Janeiro, deflagrada no dia 9 de setembro, que tem como foco supostas irregularidades nas centrais do Sistema S.

O delator afirmou, em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), que o acerto aconteceu quando o emedebista era líder do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) na Câmara dos Deputados, portanto próximo, à época, do ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB).

“Lelo tinha estreita ligação com o ministro do Desenvolvimento Social do governo Temer, Osmar Terra. Chegamos a fazer uma reunião com o ministro no ministério”, disse, porém, revelando ainda que não tratou diretamente com Lelo, mas com a ajuda de um lobista em Brasília, em 2016.

Na sequência do depoimento, Diniz afirmou que a intenção era ser blindado na presidência da Fecomércio-RJ, por meio da indicação de um representante no conselho fiscal da entidade bem relacionado com seu então presidente. “Esses movimentos tinham como objetivo fazer uma parceria que nos envolvia, Lelo e o ministro Osmar Terra, para me fortalecer politicamente junto aos conselhos fiscais, já que o ministério tinha assento no conselho”.

Segundo o delator, por conta da indicação, o publicitário Marcelo Cazzo, responsável à época pela publicidade da Fecomércio-RJ, teria repassado a quantia acordada a Lelo Coimbra em um avião fretado, em Vitória.

Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio-RJ, preso na Operação Lava Jato (Foto: Reprodução)

Outro Lado

O ex-deputado Lelo Coimbra nega as acusações que lhe foram feitas por Orlando Diniz, afirmando, por meio de nota, que a recebeu as informações com “indignação e repugnância” e que a Procuradoria-Geral da República já teria investigado o relato do ex-dirigente da Fecomércio-RJ e arquivado a delação por falta de provas. Confira a nota na íntegra:

“Tal fato é recebido com indignação e repugnância, pelos seguintes motivos:

1. A Procuradoria Geral da República (PGR) já investigou o relato e o arquivou por absoluta falta de provas.

2. No ES, já passaram por situações idênticas o Governador Renato Casagrande, o ex-Governador Paulo Hartung, o Prefeito de Vitória Luciano Rezende, o ex-Senador Ricardo Ferraço, dentre outras lideranças respeitadas e honradas.

3. Se houvesse um mínimo de verdade em tais relatos, seria fácil de provar com os atuais instrumentos tecnológicos do MP.

4. Nesse caso, ao contrário do que diz o acusado, o ex-deputado Lelo Coimbra sequer era líder da maioria em 2016. A verdade é que esse relato não têm lógica alguma: o acusado só fala de “ouviu dizer”, não teve contato com Lelo e não prova nenhum benefício para si.

5. E mais: desafia-se qualquer um a achar qualquer benefício ao acusado, em qualquer dos órgãos citados, vindo de Lelo Coimbra.

6. Cabe frisar que o acusado já teve várias delações anteriores rejeitadas pelo próprio MPF do Rio, por falta de provas e má-fé, conforme amplamente noticiado pela imprensa. Embora possa ter contribuições a dar em outras frentes da investigação, é fato que acusado se perdeu no desespero de obter benefícios penais a qualquer custo.

6. Por fim, apesar da importância do instituto da delação no país, é preciso aprimorá-lo, sob pena de virar prêmio para quem mente mais e melhor. A qualidade das provas é mais importante do que a quantidade de sensacionalismo vazio. Separar o joio do trigo, portanto, é missão que exige prudência e senso de justiça, sob pena de achincalhar-se a honra alheia a troco de nada.”

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