MPF recomenda que governo do ES inclua taxa de transmissão da Covid-19 em Matriz de Risco; entenda

Dados sobre transmissão não são utilizados no sistema, que foi atualizado nesta semana e passa a entrar em vigor a partir deste domingo (24)

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Da esquerda para direita, governador Renato Casagrande e secretário de Saúde, Nésio Fernandes - Foto: Hélio Filho/Secom

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que o governo do Estado inclua a taxa de transmissão do novo coronavírus (Covid-19) na Matriz de Risco Ampliada do Espírito Santo para a análise que pode gerar medidas de enfrentamento à doença. O governador Renato Casagrande e o secretário da Saúde, Nésio Fernandes, precisam informar se acatam a recomendação até a próxima quarta-feira (27).

A taxa de transmissão ou o número de reprodução do vírus determina o potencial de propagação da doença. O MPF seguiu nota técnica elaborada pelo Núcleo de Estudos Epidemiológicos da Ufes (NIEE/Ufes). De acordo com o documento, a taxa de transmissão influencia diretamente no índice de letalidade e no risco de colapso do sistema de saúde.

Se não acatarem, ambos vão precisar justificar o motivo. Caso decidam utilizá-la, terão que informar como será realizada a inclusão com a explicação dos parâmetros a serem considerados e as providências a serem adotadas.

No início da semana, o governador Renato Casagrande anunciou que novos critérios vão ser analisados para a classificação do mapa de risco do Espírito Santo e entram em vigor já neste domingo (24). Além de considerar o coeficiente de incidência, casos por 100 mil habitantes, também é observada a ocupação de leitos.

Agora, a taxa de letalidade, o índice de isolamento social e o percentual de habitantes com mais de 60 anos no município, também contam.

Os números

De acordo com a nota, a taxa de transmissão no Espírito Santo, na semana do dia 16 de março, era próxima de 3; já na semana do dia 4 de maio, era de 1,57. Os dados demonstram que as medidas de distanciamento social implementadas, inicialmente, foram eficazes, ocasionando desaceleração do número de internados e de pessoas que poderiam ir a óbito.

A taxa de transmissão abaixo de 1,0 é a que indica o declínio da transmissibilidade em determinada localidade. No entanto, a Nota Técnica apresentou tendência de rápido aumento desse índice no Espírito Santo, de 1,64, para 1,84.

O que demonstra que o distanciamento social mais flexível adotado recentemente, não possui a mesma eficácia do modelo anterior, uma vez que, mesmo que o índice de distanciamento social não tenha caído, ocorreu a aceleração da propagação da transmissão.

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