Polícia prende integrantes de quadrilha acusados de se passarem por policiais civis para roubar casas no ES

O bando agia de uma maneira muito peculiar. Sempre se passando por agentes, entravam nas residências, anunciavam o assalto e utilizavam de extrema violência

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(da esq. para a dir.) Alexandre Sá, Bruno Araújo, André Araújo e Thomas Grigório são acusados de fazer parte da organização criminosa. Foto: Divulgação/PCES

Quatro homens foram presos acusados de fazerem parte de uma quadrilha especializada em roubos. Os suspeitos analisavam previamente os alvos e na hora da abordagem se passavam por policiais civis para intimidar as vítimas. Foram, ao menos, dois assaltos em Cariacica, um em Vila Velha e outro em Santa Leopoldina.

Na manhã desta sexta-feira (8), a Polícia Civil anunciou a prisão de Alexandre Santos de Sá, de 49 anos, André Araújo Denaday, de 22, Thomas Grigório, de 27 e Bruno Batista Araújo, de 30 anos. Eles foram presos após a quadrilha assaltar duas casas no intervalo de uma semana, em Cariacica.

De acordo com as investigações, o bando agia de uma maneira muito peculiar. Sempre se passando por policiais civis, os bandidos entravam nas residências, anunciavam o assalto e utilizavam de extrema violência. Para o delegado-chefe da Polícia Civil no Estado, José Darcy Arruda, as prisões apresentadas desarticulam a organização.

Dupla com camisas de sindicato de policiais civis. Foto: Reprodução/PCES

“É um forte golpe na organização criminosa desse tipo de crimes, que atacam as pessoas e as residencias. Quero ressaltar que não é a camisa da Polícia Civil, mas com as inscrições da Polícia Civil, mas isso nos preocupa e partir do momento que tomei conhecimento do fato e hoje estamos entregamos a sociedade, que reputamos de extrema importância ao crime organizado”, disse. 

O primeiro assalto associado a essa organização criminosa aconteceu no início do ano, numa casa de um colecionador de armas. Na oportunidade, de acordo com a polícia, os bandidos chegaram a aplicar uma gravata na vítima. Outro assalto também aconteceu no mês de outubro, em um sítio de Santa Leopoldina.

A polícia passou a investigar diretamente o bando, porém, a partir de dois assaltos em Cariacica, já no fim de outubro. No dia 21, os criminosos renderam uma casa no bairro Vila Capixaba e roubaram R$ 50 mil. Na oportunidade, eles entraram na casa com camisas que continham a inscrição “Polícia Civil”, além de se identificarem como policiais.

Sete dias depois, um outro assalto em Cariacica. Dessa vez no bairro Castelo Branco. Um dia após o segundo crime na cidade, a polícia chegou até André Denaday, que foi preso em flagrante. Logo depois veio a prisão de Bruno Araújo, que conseguiu as camisas que foram utilizadas no crime. No dia 02, foi a vez de Thomas Grigório ser preso e na manhã desta quinta-feira (7), os agentes chegaram até Alexandre Sá, apontado como chefe da quadrilha.

De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Segurança Patrimonial, delegado Gianno Trindade, o fato de Alexandre ser ex-agente penitenciário facilitou a execução dos crimes. O suspeito foi demitido após acusações pelo crime de extorsão.

“As investigações indicam que o Alexandre é um dos articuladores em diversos roubos a residências com requintes de violência aos moradores e pelo fato de ele ser ex agente penitenciário, ele tem conhecimento de alguns procedimentos policiais. No crime do dia 21 de outubro, eles utilizaram de camisas que foram confeccionados por um sindicato da Polícia Civil e utilizaram de uma abordagem policial, que facilita a entrada dos criminosos”, disse. 

Delegados responsáveis pelo caso em entrevista na manhã desta sexta. Foto: Lucas Melo

Estudo prévio

Para executar os crimes, os suspeitos planejavam os alvos de maneira meticulosa. Com informações privilegiadas, sabiam onde estavam as casas que possuíam objetos de valor e dinheiro, visando aumentar o rendimento no assalto, como explica Trindade.

“Eles sempre contavam com algum tipo de informação privilegiada. No roubo que ocorreu no dia 28, o Alexandre, cinco dias antes do crime, pára um veiculo na frente da residência e passa a observar a rotina da vítima, fazer o levantamento de como entrar na casa, qual seria o melhor horário e isso ele confessou a ser preso nesta quinta”, diz. 

Camisas com inscrições da Polícia Civil 

Um dos fatores que chamou a atenção da polícia na apuração dos crimes foi o fato de que, além deles se passarem por policiais, se utilizavam de camisas com inscrições da corporação. De acordo com o delegado-chefe da PC, José Darcy Arruda, as roupas utilizadas pelos suspeitos são de um dos sindicatos da categoria.

Em depoimento, um dos suspeitos presos, Bruno Araújo, confirmou que conseguiu as roupas através de um contato. A polícia já tomou conhecimento e tem pistas de como o material pode ter chegado nas mãos de criminosos. Arruda garantiu ainda que os uniformes da Polícia Civil são padronizados e que apenas agentes podem comprar e utilizá-los.

Os quatro homens foram enquadrados no crime de roubo majorado e associação criminosa.

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