Com ar pacato de vila, Nova Almeida conserva cultura e uma população hospitaleira ao longo dos anos. O distrito localizado no município de Serra, a 36 km da capital Vitória, é conhecido também pelo conjunto de recifes que formam piscinas naturais na maré baixa e falésias. Nelas, inclusive, é praticado o voo livre.

Igreja de Reis Magos

Outra marca da localidade é a Igreja e Residência de Reis Magos, tombada como patrimônio histórico nacional. Fundada pelos padres jesuítas em 1580, a construção possui mirante, cheia de lendas e histórias. Historiadores acreditam que está na igreja a primeira tela em óleo sobre madeira pintada no Brasil, o quadro Adoração dos Reis Magos.

Atualmente a Igreja está passando por obras de restauração e cercada de tapumes. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), as obras são estruturais.

“Estão sendo realizadas ações no telhado, nas alvenarias, nas esquadrias, pisos, forros e substituição de equipamentos hidráulicos. Também será feita a recomposição de piso do pátio e da igreja, a substituição de elementos elétricos e a realização de intervenções em elementos artísticos, como por exemplo, a higienização mecânica do quadro Adoração dos Reis Magos”, disse o Iphan por meio de nota.

A previsão de entrega da restauração é outubro de 2019.

Economia

As principais atividades econômicas estão ligadas a hotelaria e gastronomia, que são impulsionadas pelo turismo. De 2018 até o momento, de acordo com a Prefeitura de Serra, 83 novos empreendimentos foram abertos em Nova Almeida.

Ninho da Roxinha

Próximo ao templo religioso, na Rua do Limão, está localizado o restaurante Ninho da Roxinha. Bucólico, beneficiado por sombras de árvores frondosas e relevo que se destaca. Está acima do nível do mar, característica que permite olhar parte do balneário por cima. Fundado em 1996 é referência até mesmo fora de Nova Almeida e comentado na Grande Vitória.

No restaurante o carro-chefe é o leitão à pururuca, chamado de Prato da Boa Lembrança pelo nível de excelência da comida, agraciado com o título dado pela Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança.  

A história do restaurante remete à do casal Salvador Muroni, de 85 anos, e Sueli Fonseca Muroni, 63, proprietários do local. A pretexto de estabelecer lazer e diversão nos fins de semana, o lar ficava sempre rodeado de amigos e assim surgiu a ideia de se abrir o estabelecimento.

Projetada pelo arquiteto Zanini Caldas, a então casa de veraneio da família ficou pronta no início da década de 1980. A casa possui decoração rústica, com diversos itens antigos que combinam com a estrutura em madeira. Salvador explica que teve essa ideia para a residência quando morava em São Paulo, na década de 1950. “Eu trabalhava na Warner Bros.

“Eu trabalhava na Warner Bros. e em alguns filmes clássicos haviam essas casas. Eu me apaixonei por elas e pensei ‘um dia vou ter uma’”, recordou.

Origem do nome

Segundo Salvador, o nome da residência tem um motivo especial. “‘Roxinha’ é o apelido carinhoso da Sueli porque ela é a ‘minha morena’. Eu tinha pensado em vários nomes antes, me sugeriram outros, mas este é o que me soou mais familiar”, afirmou.

Em 2014, para promover eventos de grande porte, foi edificado um cerimonial. O Ninho da Roxinha recebe festas de casamento, aniversário de 15 anos e datas comemorativas.

Clima de festa

Sueli relembra que após abrir o restaurante a família realizava festas ao mesmo tempo que recebia clientes para almoçar. Ela buscou qualificação, estudou para trabalhar com turismo e gastronomia e fez curso para atuar também como cerimonialista.  

“Nós recebíamos as pessoas e elas perguntavam ‘vocês estão fazendo festa e vão nos receber?’. Nós preparamos uma nova mesa para que pudessem comer”, relatou Sueli.

O plano para construir o cerimonial surgiu a partir de Salvador, e a princípio, apenas ele quis que o projeto fosse à frente. Hoje ele é importante para que o público contrate o Ninho da Roxinha para eventos comemorativos.

O Prato da Boa Lembrança

A Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança foi criada em 1994 em Petrópolis (RJ). A proposta do grupo preza pela excelência dos pratos e qualidade de serviço. Quem é associado possui um troféu de decorador, uma louça de alta qualidade produzida para ser exposta como uma obra de arte.

O empresário relembra que aprendeu com a mãe desde muito cedo a fazer o leitão à pururuca. “Todos gostavam do prato que eu preparava. Até que eu fui em um restaurante no Chile e, aí sim, entendi o que é um leitão à pururuca. Peguei a receita que lá era preparada e trouxe para cá. Se tornou um sucesso. Tanto que foi reconhecido como um prato da Boa Lembrança”, disse.

Renovação

Do relacionamento nasceram três filhos, sendo o último, André Fonseca Muroni, 32, hoje, o responsável pelo Ninho da Roxinha. Ele acredita que a força da família faz o sucesso ser mantido e trabalha pelo futuro.

Desde 2014, André tem participação ativa nas decisões do negócio. Por ter formação em Engenharia Civil, gosta de trabalhar com números e pensa nas finanças.

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